Luar ao Sul
Luar ao Sul
Ceifeiras: papoilas ao vento a esvoaçar
Trigueiras, a perfumarem a planície
Cantam, para espantarem as dores
De corpo e faces tapadas, para enfrentarem o calor
Sob um sol escaldante, de foices em riste
Para desafiarem o vento levante
Quantas canseiras, para ver o pão nas eiras!
Mulheres determinadas, que cortam o sol com o regaço
Que sabem todo o circuito do pão:
Alqueivar, gradar, semear, mondar, ceifar, debulhar, limpar, moer, peneirar, amassar, tender,
O forno aquecer, para o pão cozer
Se soubessem, as voltas que a mão dá, até fazer do grão de trigo pão!
Não o estragariam, dando-lhe muita mais atenção
Há multidões de esfomeados, que nunca, o pão, verão
Acabada a ceifa, chega a adiafa, para suavizar o cansaço
Um dos trabalhos mais duros, que mulheres e homens
Enfrentaram, nos campos do Alentejo
Sob um sol ardente, de cortar a respiração!
José Silva Costa
Por vezes desconhecemos todo o trabalho que foi preciso para nos colocar o pão na mesa...
ResponderExcluirDeve haver muito quem desconheça o muito trabalho, que dá, colocar o pão na mesa.
ExcluirO Sol a Sol de Então
ResponderExcluirtoda a solidão
esquecida e mal agradecida
porque não
roubada ?
Excelência de texto a quem o viveu.
Bom resto de Semana ao Sul
que o Verão apareceu
vestido de Azul
De sol a sol até o corpo ficar mole, queimado pelo calor, que, hoje, todos querem, mas à beira mar!
ExcluirCuidado com o calor, nas férias, que se querem de amor.
e o sol ardente parece que por estes dias se tornará uma grande bola de fogo
ResponderExcluirChegou o tão desejado calor! Oxalá não traga morte e dor.
Excluirpodia ser mais meiguinho!
ExcluirPodia! Mas, infelizmente, o muito calor, ultimamente, tem trazido, sempre, pelo menos, dor.
ExcluirUm retrato do Alentejo desaparecido.
ResponderExcluirTudo vai desaparecendo. O Alentejo já não é o celeiro de Portugal.
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