Os últimos dias
Os últimos dias
Setembro, dia de semana, visitámos um amigo de noventa anos, que está num lar para idosos
Foi imigrante em França, onde vivem a filha, o genro, os dois netos e a bisneta, todos franceses
Há menos de um ano, aos netos apertaram-lhes as saudades, meteram-se num avião e vieram ver o avô, apenas algumas horas, enquanto o avião descansou
Que maravilha de tecnologia, que em poucas horas, liga Paris a Lisboa, e vice-versa!
Batemos à porta, que está sempre fechada, com a chave retirada, não vá alguém abri-la, sair e perder-se, para o resto da vida
Entrámos logo, num dos dois salões, que estão ligados por um amplo vão
As paredes estão forradas de cadeiras apertadas, todas ocupadas com corpos cansados, à espera de uma visita, de um carinho de um familiar, de uma palavra, que quebre a monotonia
Ali estão todo o dia em exposição, em frente a duas televisões, que espantam a solidão de tanta pessoa junta, em tão pouco espaço
Eram dezasseis horas, estavam a servir uma refeição, não sei se era o lanche, o jantar ou a ceia
Quem lá trabalha tem filhos, para ir buscar à creche e à escola
Duas empregadas e um rapaz fardado de enfermeiro serviam as refeições:
Um carrinho carregado de tigelas de sopas de pão com café e leite
Havia três categorias de comensais: os que conseguiam comer pela própria mão, os que lhe tinham de dar o comer na boca e aqueles a quem o enfermeiro tinha de lhes injetar a comida, com uma seringa gigante
Primeiro injetava a refeição, depois a água, porque as suas bocas já não conseguem, a comida, saborear
Fiquei a imaginar, como e onde passarão as longas noites, sem sono, porque quando o tinham, não tiveram tempo, para o aproveitar
A não ser que sejam sedados, para a paz, reinar
Todos com muita idade, à exceção de um homem sem pernas, cortadas pelos joelhos, que dialogava, com uma das empregadas, contando anedotas e dizendo piadas, animando a sala, para que não parecesse um velório
Poucas visitas, num dia de trabalho, apenas três famílias
Fechados noite e dia, naquela prisão, mas as famílias não têm outra opção, mais tarde ou mais cedo chegará a minha vez.
José Silva Costa
Um texto intenso e "duro" de ler... a realidade de muitas pessoas!
ResponderExcluirBeijinhos
Infelizmente, não tem nada de ficção. Uma dura realidade, para a qual temos de estar preparados.
ExcluirTão triste :(
ResponderExcluirMuito triste, mas uma realidade, que não podemos esconder. Foi a segunda visita que fizemos a este amigo, juntamente com a filha e o genro, este sentiu-se tão chocado, que pediu à mulher, para a terminar-mos .
Excluiré uma realidade que nos deixa ambíguos. não sabemos o que pensar. O problema é quando esses idosos são maltratados. ouvem-se relatos horrendos, embora quem os faça não seja equiparado a terroristas. O que os distingue de um membro do Daesh? Um mata e o outro não. Não mata mas moi: agressões fisicas, bofetadas, banhos em água fria, subnutriçaõ...
ResponderExcluirP.S. obrigado pelo seu comentário. estou a recuperar bem.
Sim. Há idosos que são muito mal tratados, não foi o caso, acho que são tratados com carinho.
ExcluirTriste realidade a Velhice
ResponderExcluirentre 4 quatro paredes...
Prepararmo-nos é lema
Boa semana José
( eu já estive 10 anos de cama, de um acidente de trabalho, sei mais ou menos o que me espera ????????????? )
Deve ter sido horrível! Preparemo-nos, se não acontecer, tanto melhor.
ExcluirÉ uma realidade, que não podemos esconder.
ResponderExcluirAgora até fiquei com um nó na garganta!!!
ResponderExcluirTadinhos ;(
Infelizmente, hoje, a sociedade não lhes consegue dar melhores condições. Esperemos que no futuro, tenhamos possibilidades de lhes dar, melhores, últimos dias.
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