A seca
Vale de Estacas, 12/02/2005
A seca
O dia é de primavera
A noite de Inverno
A chuva não aparece
Tudo, com o frio, esmorece
Não há erva, nem trigo
As pessoas e os animais
Sob o mesmo castigo!
Que a água falte no verão
Já o Alentejo está habituado
Mas em pleno inverno
É arder no inferno.
Os ovinos e bovinos
Com os focinhos
Varrem os campos
Acariciam o chão
Tudo em vão
Morrem de fome
Naquela que era a melhor estação.
Os Montes outrora, caiados,
Estavam repletos de gente
Agora, todos, desboroados.
Nem a liberdade!
Com os seus progressos:
Estradas, água, luz, esgotos
Conseguiu evitar a debandada
Porque chegou atrasada.
As modestas habitações
Completamente desventradas
Com as partes íntimas
Em exposição:
Ao vento, ao sol, à lua
Num silêncio estarrecedor
Ouvem-se as almas reclamar,
Porque a iluminação pública
Passa a noite a incomodar
Quem, em vida, só tinha o luar!
Que tristeza observar
As velhas pedras a chorar
Por não terem quem agasalhar:
Nem mulher, nem homem
Nem cão, nem gato, nem pardal.
Assusta, o barulho das oliveiras, sobreiras e azinheiras
A sonharem com uma gota de água.
Outra vez, a seca!
Agora, no verão de 2017
José Silva Costa
Os ciclos de tempo
ResponderExcluirque por vezes fazem
este esquecimento...
Boa Semana José
Há quem não goste da chuva, mas ela faz muita falta.
ExcluirUma boa semana, também, para ti.
Pedras abandonadas... à vontade do tempo!
ResponderExcluirPrecisávamos de uma melhor organização do território, no sentido de tentar minorar a sua desertificação.
ExcluirO aquecimento global vai ser cada vez notório no nosso país.
ResponderExcluirParece que vamos ter, cada vez, menos água.
ExcluirE mais calor
ExcluirDeve estar relacionado.
ExcluirTemo muito o aquecimento global
ResponderExcluirTambém temo muito o aquecimento global, que poderá tornar muitas zonas inabitáveis.
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