São pergaminho os lábios

Sete Motivos Do Corpo


 


VII


 


Já quando pouco dista o escuro Averno


Da vida, atarda-se ela em passos lentos.


Se declina o moral p`ra entrar no Eterno,


Seguir não pode o êxito dos tempos.


Mais sobe o espírito mais lhe pesam membros.


Cresce o saber: são pergaminho os lábios;


Somem-se os olhos p`ra só ver por dentro.


Escutai-os, ó moços: são os sábios.


 


Curvam-se as costas para ler os fados


Que no seio da terra Gaia dita,


E de juízos em anos apurados


As rugas são na pele a douta escrita.


Gasta-se a carne nos túrbidos trabalhos


Que a alma aumentam e envelhecidas


Soam veladas as vozes como oráculos?


Moços, beijai as cãs! São as Sibilas.


 


 


Natália Correia

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