Halo de fêmea húmida e quente

Sete Motivos Do Corpo


VI


Quando em halo de fêmea húmida e quente


São intimas ao fogo as ancas sábias,


Está o corpo maduro no seu tempo


Aromático de rosas esmagas.


 


São as Circes: fogueiras reclinadas


Como panteras em nuvens de magnólias;


Coxas versadas em abrir às lavas


Do desejo confins de lassas glórias.


 


Do amor, lúcida e plena anatomia;


Magníficas mulheres com flor e fruto;


Corpos de vagarosa fantasia


Que a febre afunda em estrelas de veludo.


 


Num esplendor de poentes envolvidas,


Sentadas têm pálpebras de violetas;


Mas erguem-se abrasadas; e despidas


São um verão a sair de meias pretas.


 


Capelinhas que lendas insinuam,


De segredos os olhos lhes sombreiam.


Dos ombros pendem-lhes mantos de volúpias.


São fábulas que os moços estonteiam.


 


E aos seus leitos de prata e tílias altas


Ébrios de lua sobrem os mancebos


Elas enterram-se nuas como espadas


Nas suas virilhas e armam-nos cavaleiros.


 


Ó sazonada carne que circula


De asas, abismos e suados cumes


O mistério do ovo, dando sombra


Ao pénis que procura o fim do mundo.


 


De


 


Natália Correia


 


 

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