Os refugiados

Os refugiados


É um colorido de vidas: crianças alegres e risonhas, sem saberem o que as espera


Correm ao longo da barreira de arame


Parecem pássaros a quererem voar


Abrem os pequenos braços, como se fossem asas


Numa tentativa, de a fronteira, atravessar


Como não me posso emocionar?


Ao ver crianças indiferentes ao frio e à chuva


A pedirem para entrar


E, do outro lado um exército a ameaçar


Esta é a Europa: velha, medrosa, indiferente


Em que já não há gente


Todos somos roubos


Sem sensibilidade, nem sentimentos


Não! Não me habituo


Por mais que a televisão me massacre o juízo


Os dias, as noites, os minutos são um castigo


Acabem de vez com este espetáculo


Lembrem-se que poderiam ser os vossos filhos e netos


Sem um teto, sem pão nem água


Mas mais do que tudo


Sem esperança, que é o que nos mata.


 


José Silva Costa


 

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