Velho
Inverno
Chegaste pela calada da noite
Todo vestido de branco, a anunciar o Natal
Tu, que fechas e abres os anos
Vens vestir a humanidade dum sentido fraternal
Vais acabar de despir as árvores
Fazê-las tremer de frio glacial.
Velho
Velho, pobre, abandonado
Que Gama te trouxe da tua quente Índia?
Para um temperado Portugal
Vives na rua, no banco do jardim
Dormes à porta do prédio da avenida
Gelado
Trabalhaste muito
Por um magro ordenado
Agora, não tens um telhado!
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