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Formosura

Formosura O branco do teu roupão Deixa ver como a tua mão O abre para ver o peito romã Com dois ímanes apontados ao céu Que o roupão não consegue tapar Dos quais não consigo desviar o olhar Que navega por esse mar Que separa os dois cumes Por mais que queira descer Pelas tuas torneadas pernas Os meus olhos estão sempre Nos teus seios a embater Por mais que queira ver Os teus bonitos olhos a navegar Os teus peitos é que atraem o meu olhar Mesmo quando te estou a beijar Os meus olhos, o que querem É os teus seios destapar Mesmo com os teus lábios de encantar É no teu colo que me quero deitar Não vale a pena pintarem os olhos e os lábios Porque o que nos hipnotiza são as duas bonitas romãs A quererem saltar dos soutiens Colocarem pestanas postiças Pintarem os cabelos e unhas de gel Porque o tempo e a água tudo desbota Só os seios se mantêm ao natural Mesmo que percam alguma elasticidade Serão, sempre, a atração principal. José Silva Costa          

Saber

Saber de ti   O que a tua estrela não diz Quanto quis! Descobrir o que está por detrás do verniz Da tua felicidade feliz No teu cariz Senhora do seu nariz Enigmática no que diz Inteligente! Admirada por muita gente Muito atraente Como descobrir o que sente! Se não consigo entrar na sua mente Sempre alegre e contente A simplicidade presente Olhos de quem não mente Uma mulher diferente Excelente semente Uma flor florescente Uma formosa rosa Uma eterna sedutora Que um dia me beija E, no outro diz, que não me conhece Como é que de um dia para o outro se esquece!   José Silva Costa         

56,anos

56, anos lado a lado   Nos verdes anos encantámo-nos Decidimos viver lado a lado E, eu continuo encantado Como no primeiro dia em que te vi Que nunca mais desisti De te demonstrar que era o melhor para ti Que tu és a melhor companheira Que juntos subimos a ladeira Com muita canseira Construímos a floreira Com a ajuda da fogueira Que nos une e consome Que nos mata a fome Que nos ajuda a prender o sol Que nos iluminou estes anos todos E que nos continuará a iluminar até o céu nos beijar Semeámos flores, que já deram mais flores Que, por sua vez, darão mais flores Flores, que são uns amores! Para que nunca faltem flores Para que a Terra seja, sempre, um sítio perfumado Para que o amor seja aquele calor acalorado Que entre os dois seja cultivado Por um beijo, simbolizado No carinho de cada dia ultrapassado Juntos, lado a lado.   José Silva Costa    

Outono

Bem-vindo  outono   Chegaste nos braços da noite Nas asas da lua cheia Mal chegaste, escondeste o sol Começaste a despir as árvores Para que a primavera as vista de novo Com a futura moda: a da Natureza! Aquela que consegue combinar todas as cores Todas as flores, com toda a harmonia Como uma melodia: uma sifónia Que nos embala todos os sentidos Que nos transporta para o paraíso Mas, quanto mais despes as árvores Mais camadas de roupa visto E quando te despedes e deixas-nos, ao inverno, entregues Mais camadas de roupa visto E a quantos mais invernos assisto Mas camadas de roupa visto É assim o outono da vida Tão diferente do outono da Natureza! Que todos os anos se despe Para se voltar a vestir de beleza De flores perfumadas De novos, doces, frutos De dias de lutos De radiosos dias de sol De radiosos dias de chuva De novas vidas a darem vivas à vida!   José Silva Costa            

Sol de inverno

Sol de inverno   O sol contínua bem-disposto Mas, cada vez é menos Todos os dias se esconde um pouco Vai para outras paragens Assim vai continuar por mais três meses Não se afeiçoa a ninguém Mantem-se neutral No que dele depender Para todos quer ser igual Quando nasce é para todos Quem é que não quer um lugar ao sol! Um bom bronzeado Uma casa soalheira Sem vizinhos à sua beira Boa comida caseira Um passeio à feira Para comprarem castanhas assadas Saudarem o outono Menos horas de sol Menos horas de trabalho no campo Para compensação das muitas no verão Uma excelente distribuição Uma vez que não lhe podemos deitar a mão Para o ano espero por ti Meu querido verão.   José Silva Costa        

Macacos me mordam

Macacos me mordam   Macacos me mordam se alguém percebe a falta de professores As escolas abrem concursos, 1,2,3 vezes e ninguém concorre Por que razão é que não querem ir para professores? Quando é que a opinião pública e os governantes se convencerão que o ensino, a saúde, a justiça e a segurança são os pilares do progresso e bem-estar? A falta de professores não é de hoje, mas cada vez são mais as escolas com falta de professores Já não é só atrás do sol-posto, e ainda bem, porque todo o território deve ter as mesmas oportunidades, que as escolas não conseguem preencher os quadros de professores Até na capital, as escolas têm falta de professores, mas não vejo ninguém indignar-se, por faltarem professores, por todo o país, como se fosse uma coisa normal a falta de professores, médicos, justiça Todos os dias os Governantes se gabam de maravilhas, de milagres, de estarmos à frente de todo o Mundo, contrastando com a miséria em que muita gente vive, com o desespero para obter o cartão ...

Regresso

Regresso às aulas   Um regresso tão desejado como condicionado Ainda não podemos ver os bandos de flores a beijarem-se e abraçarem-se O vírus não nos dá descanso, as máscaras são o nosso manto Mais um ano cheio de regras, de corredores com sinais de trânsito De gel, de desinfetantes, de bolhas de segurança, para bem dos estudantes Desconfiamos e temos medo de toda gente, é como que um repelente Que, por mais que o queiramos esquecer, vai se colando à mente É tudo tão estranho, tão violento, tão diferente Desconfiamos de todos, da muita e da pouca gente Olhamos para todo o lado, mudamos de passeio, não nos cremos cruzar com ninguém Que estranhos comportamentos, a gente, tem! E, ai dos que os não cumpram, são bombardeados pelos olhares dos afastados Somos vistos, como se todos tivéssemos infetados, condenados Enquanto a confiança não voltar, é com este medo que vamos viver Não vale a pena fugir nem correr, o mais importante é, a saúde, proteger Há quem diga que a pandemia está controlada...