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Aniversário

Aniversário   É do futuro que nos alimentamos Com o qual, todos os dias, sonhamos Mas, à medida que, os anos, contamos Do futuro nos aproximamos. Comemorámos mais um aniversário do nosso casamento Uma semana para saborear o momento Foi um inesquecível momento Como reza o tempo.   José Silva Costa

O amor

Meu Amor   Meu amor, os anos têm muito calor És a mais linda flor O teu perfume é encantador Os anos não apagam o seu ardor Viajamos nas asas do amor Com os nossos sonhos sem cor À procura do paraíso em flor Onde possamos colher a nossa flor Continuaremos com o nosso encantamento Até que se apague o tempo Na doçura dos braços do vento Onde, todos estes anos, temos estado Neste longo caminho, lada a lado Continuamos a nossa caminhada Acompanhados pelo sol, na nossa morada Minha eterna namorada. José Silva Costa      

A nossa caminhada

O tempo Empurrados pelo tempo Caminhamos de mãos dadas Por estradas com portas fechadas À espera de encontrarmos as nossas almofadas Para, enfim, descansarmos de tantas esperanças afogadas De demasiadas promessas, sempre, adiadas e goradas Cansados, exaustos das caminhadas, à procura das portas anunciadas Mas, que teimam em continuar, cada vez, mais serradas Deitemo-nos ao luar, sem leira nem beira, nas nossas almofadas imaginadas Agarrados ao amor, que nos uniu, nos dias e horas desesperadas Quando acordarmos subiremos com as nossas asas todas as escadas Para ficarmos bem juntinhos, lá bem no alto, nos braços das nuvens estreladas.   José Silva Costa

Viva a música

Viva a música Loulé inaugurou uma academia de música Com uma cajadada matou dois coelhos: recuperou um palacete, para instalá-la A única a sul do Tejo! Ficaria, ainda, mais contente se tivesse sido em Beja ou Évora O interior esquecido, que todos têm perto dos lábios, mas longe do coração Depois do betão, das rotundas, das autoestradas, a valorização: cultura Não sou dos que dizem mal do betão, das rotundas, das autoestradas Infelizmente, temos muitas pessoas a viverem em barracas As rotundas são a melhor solução, para fazer fluir o trânsito, nos cruzamentos e entroncamentos As autoestradas encurtaram as distâncias Mas, revolta-me, que não tenhamos pré-escolar para todas as crianças Quando o pré-escolar deveria ter sido a primeira prioridade Mas, nós damos mais valor às festas da cidade Isso do ensino, poderá ou não ver-se algum resultado, monetário, ao fim de 20 ou 30 anos! Muitos parabéns aos Louletanos. José Silva Costa            

As casas do futuro

  As casas do futuro Não é só o clima que está a mudar O constante aumento da temperatura está-nos a afetar Neste setembro quente, na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa A receção aos caloiros foi feita em ambiente diferente Em traje de roupa interior, o que está de acordo com o curso! Na arquitetura, para além da fachada, o mais importante são os interiores Na perspetiva de mais ondas de calor e de mais duração As futuras arquitetas e arquitetos tiraram a roupa, que os estava a afoguear Despiram-se de preconceitos e de vaidades, confraternizando quase nus É para o natural que estamos a caminhar No futuro, as casas serão mais personalizadas O cliente irá, ao ateliê, mostrar o perfil, para que arquitetas e arquitetos lhes desenhem a habitação Tudo será à medida do freguês, porque o espaço é, cada vez, mais reduzido Se não tivessem inventado os trapos Ainda hoje andaríamos todos nus Sem que ninguém achasse estranho Ninguém perderia tempo a observar e a comparar o tamanho N...

Bebo o vento

Adivinho um novo tempo Quando bebo o vento Uma grande transformação está em andamento Já há muito tempo Mas, o século XXI deu-lhe um grande andamento Quando bebo o vento Vejo muita gente muito revoltada por dentro Que calou muitos segredos durante muito tempo Mas, o século XXI deu-lhe um grande alento Abriu-lhe a boca, e ela disse tudo o que tinha lá dentro Aqueles que, no exercício de altos cargos, os outros humilharam Estão, todos os dias, a ser denunciados Houve, como que, o destapar de uma panela de pressão Rebentaram escândalos, como nunca ninguém tinha visto, até então Os acusados não conseguem calar a multidão Da Igreja ao cinema, da televisão à diversão Chovem pedidos de demissão, resignação, perdão Mas, nada disso cala a multidão Foram muitos anos de humilhação. José Silva Costa

As recordações!

O crime organizado O negócio dos incêndios tem vindo a aumentar Mostrando que está bem organizado Conta com muito apoio, que julgávamos insuspeito De nada serviram as limpezas, as campanhas publicitárias As ameaças exercidas Quem é que está a fazer desta tragédia, um bom modo de vida? Querem muito sol e vento, queimam a Norte, a Sul e ao Centro Depois da trágica incompetência do ano passado Agora, tentam salvar vidas Quanto ao resto permanece o lema - “deixa arder, que o meu pai é bombeiro” Este ano, para além dos pinheiros e eucaliptos, arderam também azinheiras e sobreiras Que, se calhar, não dão tanto dinheiro As sobreiras, que levam meio século a crescer, têm feito, com que Portugal Na produção de cortiça, seja o primeiro Mas, tendo a sorte de ver a vida poupada, não quer dizer que não sinta A morte das casas, dos animais e das árvores, que os avós e os pais plantaram Morreram azinheiras e sobreiras centenárias, com fogo, por mão de criminosos, ateado Já não é só o incendiário, mas...