Quingentésimo ano (222)




Coitado! que em hum tempo chóro e rio;
Espero e temo, quero e aborreço;
Juntamente me allegro e me entristeço;
Confio de huma cousa e desconfio.

Vôo sem azas; estou cego e guio;
Alcanço menos no que mais mereço;
Entaõ fallo melhor, quando emmudeço;
Sem ter contradiçaõ sempre porfio.

Possivel se me faz todo o impossivel;
Intento com mudar-me estar-me quedo;
Usar de liberdade, e ser captivo;

Queria visto ser, ser invisivel;
Ver-me desenredado, amando o enredo:
Taes os extremos são com que hoje vivo!


Luís de Camões



 




 

Comentários

  1. O lado complicado simples de pensar do nosso Luis
    Bom e belo dia
    fim de Semana à maneira
    e de aqui de Peniche, bom dia pra vocês.

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    1. O nosso Luís anda às voltas com a contradição dolorosa em que viveu o Poeta nos tormentos do amor.

      Continuação de boas férias para vocês, João.

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  2. Tanta complexidade!!!
    Bom fim de semana!
    Beijinhos!

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    1. Sem dúvida! Na nota do soneto, que publicarei amanhã, o autor da nota refer este, dizendo: Este soneto -o de amanhã-aparece com expressões diversas no soneto, publicado hoje," a ideia, porém, é a mesma: a contradição dolorosa em que vive o Poeta nos tormentos do amor."

      Bom fim-de-semana, Maribel!
      Beijinhos

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  3. Tão só humano. Nu.
    Boa sexta-feira, José.

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    1. A contradição dolorosa nos tormentos do amor.

      Resto de dia tranquilo e bom fim-de-semana, Isabel

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  4. Grata pela partilha, José! :))
    Dia Feliz e Boa semana!

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