Quingentésimo ano (147)

Nos braços de hum Sylvano adormecendo
Se estava aquella Nympha qu'eu adoro,
Pagando com a boca o doce foro,
Com que os meus olhos foi escurecendo.

Oh bella Venus! porqu'estás soffrendo
Que a maior formosura do teu côro
Em hum poder tão vil perca o decoro
Que o merito maior lhe está devendo?

Eu levarei daqui por presupposto
Desta nova estranheza que fizeste,
Que em ti não póde haver cousa segura.

Que, pois o claro lume, o bello rosto
Áquelle monstro tão disforme déste,
Não creio qu'haja Amor, senão Ventura.


Luís de Camões

Comentários

  1. Silvano - Natural da selva (aborígene da floresta)

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  2. Obrigado José, por nos trazer Camões. Nem sempre fácil de entender na sua genialidade, e nos conhecimentos da mitologia greco - romana, que os "letrados" da época - Renascimento - dominavam, mas que a nós nos escapam. Vale o "Doutor Google"!
    Saúde, paz e excelente domingo.

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    1. Eu é que agradeço a visita. Não é nada fácil entender o que o poeta quer dizer.

      Bom domingo, com saúde e alegria.

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  3. Grata pela partilha, José! :))
    Boa noite e Boa semana!

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  4. Bom começo de Semana em harmonia
    e bom dia pra vocês e ao nosso Luis se estivesse, também...

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    1. Uma boa semana, também, para vocês. O nosso Luís diz que as setas de amor lhe dão vida.
      Bom resto de dia, com saúde e alegria, João.

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