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Mostrando postagens de janeiro, 2026

A ver o mar

  A ver o mar   Todos os dias vamos ver o mar De manhã, bem cedo, antes do sol nascer Gostamos de beber o ar do mar É salgado, fresco, puro, azul Enquanto caminhamos vamos contando os barcos Que andam na pesca, junto à costa Enquanto está escuro vêem-se, todos iluminados Quando desligam as luzes são mais difíceis de se verem Escondem-se entre as ondas: são do tamanho das cascas das nozes Ao longe, na linha do horizonte, vêem-se uns maiores Apesar da distância, nota-se que são gigantes Ou são cargueiros , ou paquetes Temos encontro marcado com dois coelhos , ou coelhas, ou um casal, não sabemos Alimentam-se junto ao canavial , para poderem, mais facilmente, esconder-se Não vá a águia, que também tem encontro marcado connosco, querer apanhá-los Ela posiciona-se sobre o candeeiro da iluminação pública, por cima da lâmpada Fica ali, uns bons minutos, a observar tudo à volta, na esperança de um bom pequeno-almoço À espera que, naquele lusco-fus...

Cabelo ao vento

  Cabelo ao vento   O teu cabelo   No teu passo acelerado, sigo o teu cabelo, ao vento, encantado Vendes alegria ao sol, com o teu harmonioso penteado Transbordas de juventude, com o teu ar empertigado A formosura da juventude faz-te brilhar em todo lado Como gostava que fizesses de mim, o teu amado! Dormiria nos teus rubros lábios, deitado O meu coração não me cabe no peito, está apertado O amor tem qualquer coisa de loucura, é o estado Em que fica quem, um dia, descobre a sua, ou o seu amado Um não sei quê de nervoso miudinho envergonhado Que luta como se fosse um rio estrangulado Que não vê mais nada, mesmo que, por muitos, esteja cercado O amor é a maior loucura em puro estado Espero que te tenhas apercebido do meu estado E que em breve me mandes um recado Para que não morra, porque, para ti, tenha olhado Sem saber que iria ficar neste estado Melhor seria, que os meus olhos não te tivessem encontrado Que naquele momento não ...

Tempo!

  Tempo   Bonitos rios correm para o mar Sem parar, têm pressa de chegar Também o tempo está sempre a andar Quer a água acompanhar Mas não tem mar onde desaguar Tem de continuar, sempre, a circular Vai e vem, amanhece e escurece Faz calor e frio, neva e chove Vai-se vestindo de acordo com a moda Em cada estação do ano, a sua tendência Num desafio constante, a namorar a ciência Numa correria para que não falte tempo ao tempo O tempo aproveita a boleia do vento Para chegar, sempre, a tempo Quem nunca tem tempo! Não pode culpar o tempo Porque, por ele, nunca faltou, nem se atrasou Está, sempre, muito atento Para estar em todo o lado, em todo o momento Cada um tem o seu tempo Não o pode comprar, nem vender Com ele tem de viver Não vale a pena fugir nem correr O nosso tempo nunca nos vai perder.   José Silva Costa    

A despedida

  A despedida       Fico, no cais, atracada a minha dor De olhos fechados pelo amor De braços presos no horror De te perder na guerra. Morro aqui à tua espera Com os teus últimos beijos Presos nos sentidos. Abro os olhos E, à memória, só me veem maus pensamentos O coração não aguenta   Tão grande separação. Beijo os cabelos Perfumados pelos teus dedos Sinto-os entrelaçados nas recordações Que embalaram o meu corpo Agora, condenado a definhar Com a tua ausência. Sem o teu carinho e amor Meus olhos fecho, para sempre, Meu amor.         José Silva Costa                               

Ventos azuis

Ventos azuis sopram do firmamento Setembro é um bom momento Para apreciar o sol em movimento As rosas perfumam o encantamento Nas ruas há pessoas a viverem ao relento Ninguém sabe disso no Parlamento Foi uma grande prioridade, mas foi um pequeno arrebatamento Depois, o promotor deixou-a cair no esquecimento Foi como quem olhou para um catavento É preciso não embandeirar em arco e estar atento As promessas leva-as o vento Prometem tudo para conseguirem um assento Escondem-se atrás de um argumento Cada vez há mais a viverem à sombra do Orçamento Ganhar a vida é tão violento! Tanto trabalho para tão pouco sustento Uma perfumada flor pode-nos causar algum deslumbramento Mas, mal murche, cai no esquecimento Noites lisas como quem vive num convento Onde não entra o entendimento Tudo é um imenso regulamento Que não deixa ver a lua, nem escutar, do coração, o batimento Um pequeno alívio para um grande sofrimento Mais-valia nunca ter entrado em tal evento O tempo é o melhor ensinamento Não há n...

Lua Cheia

Lua cheia Lua cheia descarada Incendiaste a madrugada Com o teu feitiço de namorada Os corpos vibraram com a tua chegada Como se fosses a mais bela amada No brilho da fachada, projetaste a rua animada De corpos em combustão desenfreada Como não aconteceu em nenhuma outra madrugada Foi neste fim de Março Foi nesta primavera aprisionada Que aceleraste a passada Na noite mais perfumada Nesta primavera confinada Viajemos na volúpia da madrugada. José Silva Costa Tags:amadadescaradafeitiçovibrarvolúpia link do post

Luz

A luz interior Na luz interior, que ilumina o amor Há uma flor e uma beleza para admirar Que me interroga e me põe a pensar Como fazer, para tão linda luz acender! Essa luz, que nem todos têm talento Para a entender e manter acesa Tem uma natural luz, para nos encantar É com ela que todos os dias temos de lidar Não a podemos em nenhum momento deixar apagar Temos de estar sempre atentos para a ativar Não vá o tempo a estragar Por falta de combustível para a animar O que a todo o custo devemos evitar Para que a estrela não deixe de brilhar E, todos os dias, possamos, do seu brilho, beneficiar O amor é delicioso, mas frágil A qualquer momento pode quebrar E é muito difícil de consertar O melhor é dar-lhe toda a atenção Para evitar que haja um apagão Na hora de dar a mão E seguir, sempre, as boas regras da educação Para que ninguém tenha direito a reclamação Mantendo o fogo, sempre, em ebulição Para uma boa relação Onde haja uma boa compreensão José Silva Costa